Transborde

Sabia que você não deve procurar alguém que te complete? Completar é algo raro hoje em dia, mas possível, porém com o passar do tempo e dos acontecimentos da vida, pessoas parecidas tendem a se saturar, ou seja, passam a não se interessarem um pelo outro, ou pior, a não instigarem em seu avesso, o todo. Na verdade, apesar de ser algo extremamente difícil, temos que nos completar sozinhos, e buscar alguém que nos invada, nos tire do lugar comum, nos leve a lugar nenhum, nos traga dúvida e devaneio, nos atire na loucura e diga a que veio, nos jogue das alturas e nos acerte em cheio, pois, o que faz a canção é rimar o sopro e não a melodia, o que causa paixão é mar revolto e não a calmaria. Não busque o silêncio, o final, mas sim os acordes. Não procure o certo, o sem sal, mas o que te transborde.

*Inspirado em escritos de Clarice Lispector e Fabrício Carpinejar

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Não diz

As vezes penso
que não tenho senso
de amor

As vezes passo
pelo mesmo traço
que se apagou

As vezes lembro
que não tenho tempo
pra dor.

As vezes ouço
aquele mesmo esboço
que ninguém tocou.

E as vozes mudas
das flores murchas
que o vento não quis.

Se fingem de surdas
as cores úmidas
que a lágrima não diz.

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À Luz da Escuridão

Havia tempo que eu não parava pra conversar à toa comigo mesma.
Às vezes as vozes gritam tão forte que o silêncio te deixa mais acesa.
Fazia tanto tempo que o sol não desalinhava,
e o vento não pairava, para eu poder ter menos luz e mais clareza.
A vida às vezes é engraçada e descabida,
é no mesmo instante um eco, um gesto e uma rima.
Parece que o que conta não faz mais parte de nada,
a gente se esquece de si, do não e do sim, e até da palavra.
E mergulha numa solidão, num vazio tamanho,
num frio estranho, que a escuridão se mostra uma boa amiga.

 

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Sou Torta

Me fechei em seus poros
subitamente explícitos
num delírio ilusório
tentando esconder meus ilícitos

E apesar de seus lábios
não afagar meus anseios
Me senti tão estável
ao me encontrar em seus meios

Me afoguei em seus olhos
unicamente tão vívidos
num alívio provisório
maquiando o doer de meus gemidos

E apesar de seu verso inábil
não apagar meus ensejos
me sorri o improvável
de várias formas e jeitos

Eu sou esse ruído
que ainda não encontrou a clave
E fica ali tinindo
sentindo o vazio que não cabe.

Eu sou em mim um vestígio
um rastro na areia de meu existir.
Sei que me salta o desígnio
de não conseguir me traduzir.

Eu sou essa porta
que ainda não encontrou a chave
E fica ali trancada
fechada, inerte, sem que ninguém a repare.

Eu sou assim tão torta
quanto o traço que permeia o fim.
Sei que me falta uma volta
um começo, um meio e um sim.

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