Mais um pouco

Um pouco do meu silêncio pra massagear a tua alma
não ignorância ou desprazer em ouvir teus sons
Mas numa face mais clara de mim,
algo que só ouve e deixa falarem

Não desconhecimento nem indiferença
mas um desejo simplório de entrar
em tua mente, e acompanhar teus pensamentos
Como uma ave abre as asas
pra ser sustentada pelo vento
e seguir dele a direção

Agora que lhe mostrei que já sei rimar
dores e doses de inquietação,
Que tal falares um pouco mais sobre amor?
Ou dessas coisas que desconheço
por estupidez

Ou fale-me mais do mundo, se preferir
Esse que um dia encherguei com olhos puros
e em que hoje só vejo as cinzas e sombras borradas
do que um dia se chamou felicidade

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Mais um gole

 

Divagando de vagar
sobrevoando seu olhar
intacto, concreto, exato, incerto
procurando o que falar
sem mesmo saber se vai lembrar

Pedras de gelo,
algo pra esquecer
uma noite em mim mesmo,
já não posso dizer
talvez um gole,
pra tentar transcender…
antes do amanhecer

E no espelho aquele olhar desafiador
olhos vermelhos.. na boca o amargo sabor do licor
de algo sublime e ao mesmo tempo confuso
senta vai… conta tudo… minha cabeça em parafuso

Você quer gritar mas a voz não sai
engasgado quem sabe com a ausência de paz
Destoante então é o seu sorriso
em meio a lágrima vem o riso
você não sabe mais.. se aquilo que te satisfaz
é realmente preciso

Você busca a luz…
mas só encontra notas musicais
o que realmente seduz…
você clama…. eu quero mais
Vida ingrata…
o mesmo oxigênio que te dá vida é o que te mata!