O Terno

Me diz meu Deus o que é que eu vou cantar? Se até cantar sobre ‘me diz meu Deus o que é que eu vou cantar’ já foi cantado por alguém? Além do mais tudo que é novo hoje em dia falam mal

Boas vibrações, galera gramofônica!

Estavamos ouvindo China quando de repente escuto essa música, e ao ouvir seus versos me interessei em descobrir o culpado. 

A surpresa prazerosa foi descobrir que não se tratava de um, mas sim de três culpados talentosos e musicalmente interessantíssimos. O Terno é um coletivo musical que propositalmente tranpira um cheiro de coisa antiga, mas com um vigor contemporâneo tão intenso, que realmente atrai ouvidos mais exigentes.

Uma novidade boa, que pulsa criatividade e canta em letras bem feitas e bem elaboradas, a mesmice em que a música se transformou. O verso acima foi trazido e ungido das profundas catacumbas do marasmo, e desafia o lugar comum da maioria dos letristas e cantores atuais. Com ironia, bom humor, nostalgia e inventividade impar, três paulistanos, Martim Bernardes (voz e guitarra), Guilherme “Peixe” (baixo) e Victor Chaves (bateria), criaram no ano passado um misto de passado e futuro tão intrigante quão perturbador. Em 66, (2012, independente) o trio se apresenta de uma forma lúdica e espontânea, passeando entre décadas e épocas tão variadas quanto ricas, demonstrando o intuito de descobrimento autoral e a busca pelo novo em velhos caminhos.

O gosto de algo familiar é contundente em cada estrofe e permeia o verso, demonstrando sutilmente as suas reais influências. Funções melódicas bem definidas remetem quem os ouve ao rock da década de 60, mas ao mesmo tempo, suas letras bem humoradas e um tanto quanto non sense, remetem aos tempos áureos dos Mutantes. Um tropicalismo “loshermaniano” aflora em algumas faixas, enquanto em outras podemos notar uma disposição completamente diferente e absurdamente interessante.

Para que não fiquemos apenas nas palavras, separamos uma amostra do muito que é O Terno.

Posicionado estrategicamente nos anos 60, o trio paulista possui um dizer poético voltado ao presente, indo muito além do que os apaixonados pelos “anos dourados” conseguiram se quer imaginar. Um som que brinca com o antigo e faz poesia com a atualidade, deixando fluir as relações incestuosas entre as mais diversas tendências musicais de mais de quatro décadas, fundamentando nessa disposição bem humorada e bem resolvida, o melhor e mais coerente relacionamento com o que fora produzido naquele tempo. Não, a década de 60 e seus sons não voltaram, mas sim se transmutaram.

E aí, o que achou desse som? Participe, comente e compartilhe!

Você também pode gostar de ler e Ouvir:

Olhar | Quer um Presente? | Canto dos Malditos