Sou Torta

Me fechei em seus poros
subitamente explícitos
num delírio ilusório
tentando esconder meus ilícitos

E apesar de seus lábios
não afagar meus anseios
Me senti tão estável
ao me encontrar em seus meios

Me afoguei em seus olhos
unicamente tão vívidos
num alívio provisório
maquiando o doer de meus gemidos

E apesar de seu verso inábil
não apagar meus ensejos
me sorri o improvável
de várias formas e jeitos

Eu sou esse ruído
que ainda não encontrou a clave
E fica ali tinindo
sentindo o vazio que não cabe.

Eu sou em mim um vestígio
um rastro na areia de meu existir.
Sei que me salta o desígnio
de não conseguir me traduzir.

Eu sou essa porta
que ainda não encontrou a chave
E fica ali trancada
fechada, inerte, sem que ninguém a repare.

Eu sou assim tão torta
quanto o traço que permeia o fim.
Sei que me falta uma volta
um começo, um meio e um sim.

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Dançava a bailarina torta
Dançava até o sol se pôr
Dançava a bailarina torta
Dançava à procura de um amor

Dançava a bailarina torta
Dançava até o sol se pôr
Dançava a bailarina torta
Bailava à procura de um amor

No beco dos velhos bares
Onde um dia ela já dançou
Antes de entortar as pernas
Antes de perder um grande amor

E a bailarina torta corria atrás
De roupas novas e um copo de champanhe

Nunca mais champanhe
Nunca mais plateia no Municipal
Nunca mais champanhe
Nunca mais baile de carnaval

E a velha bailarina torta
Que bailava em busca de um amor
Entrou, fechou a porta
Deitou e então silenciou

Silenciou…

 

 

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