Rock DoSol

O festival de música independente que é realizado há nove anos em Natal – RN dessa vez terá sua versão São Paulo. Acontecerá no dia 03 de novembro, sábado, no Cine Jóia. Está sendo profuzido pela agência Inker, que está comemorando 10 anos de atuação no cenário musical brasileiro. Nos próximos dias 02 de Novembro a 02 de Dezembro acontecem 90 apresentações do festival nas cidades de Mossoró, Natal e Caicó (todas do Rio Grande do Norte) dentre as quais estão bandas locais, nacionais e internacionais.

“Levar um pedaço do Festival Dosol para São Paulo é uma vitória para o projeto. A capital paulista é rock, é a cara do Brasil com tantos sotaques, sonoridades e ideias se misturando nessa grande metrópole. Já tivemos dezenas de grupos paulistas tocando no evento em Natal. Então, estaremos totalmente em casa” (Anderson Foca, um dos idealizadores do festival)

Em São Paulo o projeto será uma amostra do que vem acontecendo em Natal nos últimos anos, com uma lista de guitarras pesadas e performances arrebatadoras. Na programação do festival para o sábado estão as bandas paulistas Forgotten Boys, Orozco e O Terno; também estarão presentes os baianos do Vivendo do Ócio, Monster Coyote de Mossoró e a banda sueca de Stone Rock Truckfighters.

Pra você que não conhece as atrações do evento, selecionamos algumas músicas. Confira:

Para acompanhar as novidades desta edição, os arquivos das edições anteriores ou saber do que ainda vai acontecer no Dosol, é só acessar o site do festival ou seguir o perfil do Twitter. Concorra também a um par de ingressos pelo Rock’n’ Beats.

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O amor acaba

O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.

Paulo Mendes Campos

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Estiano e os outros também


Uma vez, há algum tempo atrás, estava lá eu meio farto de tudo, na certa assistindo algum episódio de malhação ( É, eu já fui mais novo, por “increça” que “parível”) e de repente vejo aquela menina bonita abrindo a boca e soltando de si uma voz que nem parecia dela (e nesses casos pode ser que não seja mesmo) mas não, aquela voz doce e diferente era mesmo dela, uma surpresa tão bem vinda que  a partir daí acredito que foi amor ao primeiro apertar do “play” e aos poucos uma paixão inegável por tudo que ela fez e faz. Nascida Marjorie Dias de Oliveira, iniciou carreira como atriz ainda em Curitiba mas se destacou em São Paulo fazendo parte do elenco de garçons cantores de um bar que faziam performances de clássicos do cinema, como Grease e Cabaret, chamado Cine in Show. Muitos acharam que ela era uma artista de uma música só, uma atriz que cantava, ou algum produto da mídia ou coisa assim, mas hoje após anos de carreira essa curitibana de 28 anos demonstra ter aprimorado seu talento e redescoberto sua queda por interpretar clássicos em inglês, onde com certeza poucas vozes conseguem se igualar a sua, sabemos que ela veio pra ficar e como poucas encantar!

O Gramofone separou algumas interpretações importantes dessa cantora que tem como marca registrada a presença única de sua voz inconfundível.

E pra quem nunca ouviu “Espirais” é sem dúvida uma das melhores canções em português que essa “menina” já gravou:

Agora a mais linda de todas, nessa voz maravilhosa: