Hoje choveu Nova Iork

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Uma chuva fina, torta, cortante, que me lembrou uma viagem que fiz pra Nova York. Era incrível como os pingos cadentes choviam uma nostalgia contínua, que beirava o slow motion. Era vagaroso. Bem lento. As músicas são assim também, trazem memórias. Há quem diga que um perfume lembre um momento, outros acreditam nas cores, e ainda há outros que defendem as texturas. “Áspero como o muro do quintal que eu morei quando tinha três anos”. Mas nunca pensei que com a chuva funcionasse também. Já chovia há uns, sem brincadeira!, quinze minutos, e foi só depois disso que percebi que estava sem guarda-chuva e, portanto, vesti o capuz do casaco. Mas bastaram quinze minutos para uma série de imagens ressuscitarem, foi como abrir uma gaveta cheia de papéis guardados trancada há muitos anos e apontar um ventilador ligado para os papéis, a fim de ver tudo aquilo pelos ares espalhando poeira pra todos os lados. Lembrar de coisas boas vividas que você gostaria que fossem vividas de novo e de novo e de novo. Empreendedores de plantão, percebam essa ideia: o quão legal – e lucrativo,  ok – seria se houvesse um produto no mercado que trouxesse de volta momentos bons da vida para serem vividos novamente? Uma boa ideia, não? Porque tudo passa. E algumas coisas são tão especiais que seria legal se passassem de novo. Porque as coisas ruins passam, sempre passam, mas ninguém avisa que as boas também. “Calma, isso vai passar…”, diz o amigo consolador tentando ajudar naquele momento difícil, mas atenção: aqui entram os bons momentos também, já aviso. Não se deixe enganar. E foi assim que fui bombardeado por lembranças boas quase esquecidas em plena terça-feira, na av. Faria Lima. Foi água. Enquanto não inventam o tal produto, aguardemos.

Esperando pela próxima chuva.

 

Do Blog 9 Estórias

 

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