Cambriana

Uma surpresa interessante e de uma qualidade absurdamente rara. A Cambriana surgiu, meio que de uma parceria entre dois amigos, Wanderson Meirelles e Luís Calil, sendo que as músicas do EP House of Tolerance, foram todas produzidas e mixadas em casa ou através de contatos pela internet, uma vez que Wanderson, morava em Brasília.

Radicados em Goiânia, a Cambriana é formada por mais três integrantes, sendo eles: Rafael Morihisa, Israel Santiago e Carol Steinkopf, que se desdobraram para produzir um álbum como poucos.

O interessante é que mesmo assim, feito meio que nas horas vagas, seu som não deve em nada para outras bandas gringas, uma vez que eles compõem basicamente em inglês, o que leva a uma fatídica pergunta: “Sério mesmo que isso é brasileiro?”. Existem momentos que você jura estar escutando algo bem familiar,  mas ao mesmo tempo, você tem certeza que é algo realmente diferente e espetacular.

O estilo da Cambriana é basicamente o Indie Rock, passeando por vertentes claras de um pop experimental interessantíssimo.

Chega de papo, e pra que você mesmo possa tirar suas devidas conclusões, separamos algumas canções para ecoar Gramofone à fora.

Aumente o som e deixe os acordes te levarem pelo som competentíssimo desses goianos, com Big Fish:

Sad Facts é algo transbordante, em musicalidade, sonoridade e qualidade, sendo, sem dúvida alguma, uma das melhores:

E essa é Astray, numa ótima versão ao vivo, captada na Ambiente Skate Shop, em Goiânia, há menos de um mês atrás:

Com certeza, o som da Cambriana é de uma força impar e irá ecoar bastante por todos os cantos, pois talento essa turma tem de sobra!

E aí? O que achou? Participe, comente e compartilhe!

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Uma Noite Mágica


 “Os opostos de distraem e os dispostos se atraem.”

No sábado estivemos no show do Teatro Mágico em Goiânia! O que posso dizer é que foi algo surpreendente e realmente espetacular! Não é à toa que o nome do álbum é “A Sociedade do Espetáculo”! Ontem comentando com as outras duas mãos que escrevem o blog, disse que em matéria de TM, sou uma espécie de recém convertido, pois acabei de conhecer o trabalho deles, e ainda estou meio que tateando nesse “Mundo Fantástico de Oz” (Osasco) que são as composições e letras dessa animada e empolgante turma.

Sinceramente não vejo ninguém fazendo nada nem ao menos parecido como os raros do TM! Gente feliz, que faz da palavra, do verso, da poesia, do lúdico, da brincadeira e da música uma verdadeira e intensa celebração à vida!

Pra quem não conhece, é uma “trupe” que mistura artes circenses, poesia, música e um monte de outras coisas! Enquanto se está ouvindo a música, acontece algo diferente ao lado: um malabarista jogando chamas, uma menina graciosamente enrolada em tiras de tecido, um palhaço brincando de cantar, fogo, água e tudo mais se confundindo e fundindo em algo único!

As letras são carregadas de sentidos tão amplos quanto intensos, nos desafiando a pensar e compreender coisas que às vezes a gente não dá muito valor, ou simplesmente ignora.

“Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior!”

Para você ter uma ideia das letras segue o vídeo oficial de Amanhã… Será com a letra:

Amanhã… Será?

Se aliança dissipar..
e sentença for só desamor!
a tormenta aumentará!
Quando uma comunidade viva!
Insurrece o valor da Paz,
endurecendo ternamente!
Todo biit, byte , e tera..
será força bruta a navegar,
será nossa herança em terra!
Amanhecerá!
De novo em nós!
Amanhã, será?
Amanhecerá!
De novo em nós!
Amanhã, será?
O “post” é voz que vos libertará.
Descendentes tantos insurgirão.
A arma, o réu, o véu que cairá.
Cravos e Tulipas bombardeiam,
um jardim novo se levantará.
O Jasmim urge do solo sem medo.
O sol reclama no Oriente.
Brada a lua que ilumina.
Rebelando orações e mentes.
Amanhecerá!
De novo em nós!
Amanhã, será?

“Longe da crítica, perto do público”, assim relatou o jornal “Folha de São Paulo” referindo-se ao álbum “O Segundo Ato” elegendo, através de seus leitores, a Cia. Musical e Circense como o melhor show da atualidade no Brasil.”

A música em si, é desafiadora e repleta de alternativas, pois na verdade, é comovente ver algumas das apresentações da banda, ao mesmo tempo que em outras você sorri com aquele sorriso largo que preenche todo o seu rosto e o resto!

“Nesse nosso desbravar, emanemo-nos amor!”

O público é algo à parte, pois o TM, consegue atrair para seus shows, uma mistura heterogênea, que junta ao mesmo tempo em um mesmo local, pessoas das mais variadas idades, classes e ideologias, sem contudo gerar discórdias ou brigas. O que se viu tanto em cima do palco, quanto em baixo, foi uma sintonia ímpar, desafiando qualquer lógica ou idealização, e uma alegria extremamente contagiante!

Fiquei muito feliz, em conhecer mais de perto, toda a complexidade e simplicidade dos versos moldados por Fernando Anitelli que ecoados de forma tão sutil e perfeita, pelos acordes e notas desse grupo de artistas incríveis. No palco Anitelli conta com o apoio de mais 9 músicos e 3 artistas circenses, embora tenham vindo a Goiânia em número menor, e também com o uso de violino, guitarra, baixo, percussão, flauta, Djs, bateria e xilofone.

Se você nunca foi há um show deles, e pretende ir, recomendo infinitamente que deixe seus antigos conceitos sobre música se elevarem a um patamar nunca antes imaginado, que observe e absorva cada segundo das melodias, cada instrumento, cada sorriso seu ao experimentar sensações contraditórias, mas que ao mesmo tempo são perfeitas e realmente memoráveis.

Segue mais um pouco do muito que é “O Teatro Mágico”:

Bem Vindos ao Teatro Mágico

Zaluzejo – veja a letra aqui

De Ontem em Diante – veja a letra aqui

Camarada D’água – veja a letra aqui

Da Entrega – veja a letra aqui

Nosso Pequeno Castelo – veja a letra aqui

Abaçaiado – veja a letra aqui

Você me Bagunça – veja a letra aqui

O Anjo Mais Velho – veja a letra aqui

Pena – veja a letra aqui

O projeto inicial do TM é basicamente uma trilogia; a ideia principal era tratar de temas como a sociedade em que vivemos, preconceito, trabalho… “Eu não vou falar de coisa feia, que coisa feia o tempo todo já tem. Então vou falar de fantasia. Ao invés de falar das coisas que destroem, que machucam, vamos colocar a realidade de uma forma para o povo aprender, para ter informação. Para se mobilizar contra essas coisas. Senão a gente fica também vivendo num país de sorrisos e alegrias quando na verdade não é nada disso. Eu acredito que as nossas ações não podem ser impensadas. O artista tem uma responsabilidade social”, diz Fernando.

Além do CD “A Sociedade do Espetáculo” que mencionei anteriormente, sendo o último até agora, o Teatro conta com “Entrada para Raros”, o primeiro CD, de onde surgiu o apelido de “os raros” para o TM. É um ‘questionar do indivíduo no coletivo, onde o tudo é uma coisa só. Tem a poesia, a brincadeira e o sarau.’
O segundo que se chama “Segundo Ato” apresenta um olhar sobre as coisas urbanas, do dia-a-dia, com bastante realismo, mais preto-no-branco com tons pastéis. O terceiro CD mostra-se como uma mistura de tudo isso.

Para baixar as músicas dos dois primeiros álbuns é só acessar: http://tramavirtual.uol.com.br/o_teatro_magico

Você também pode baixar o novo CD “A Sociedade do Espetáculo” de graça!

O Teatro Mágico é um intenso, indescritível e único acontecimento! Parabéns à “trupe” por ser exatamente assim como é!

Vai prevalecer o artista que tem uma relação honesta com a própria arte, com o seu público.” Anitelli

24 de Outubro – Aniversário de Goiânia

Cidadela dos Arvoredos (Goiânia)

Doce cidade jardim
do cerrado pintado em sua gente
Doce dona de mim
do meu jeito de ser diferente
Doce moça que se enfeita de flores
ao simples gotejar de esperança
Doce senhora que acolhe os amores
os versos e os sorrisos de tantas crianças.

Doce cidadela dos arvoredos
de linhas retorcidas em sua goianidade
Doce cinderela dos segredos
dos novos conceitos e das novidades
Doce princesa dos olhos verdes
que pulsa intensa sua serenidade
Doce menina goiana que se compreende
e sabe, como é linda essa minha cidade!

Homenagem aos 78 anos de Goiânia.
Parabéns jovem senhora!

Sou goiano, tem base?

Se você não conhece Goiás e um dia se aventurar por essas bandas, pode estranhar o modo engraçado e até mesmo peculiar de como nos relacionamos com as coisas e as pessoas. Para se ter uma idéia ao pedir informações para algum tranzeunte, é bem capaz que no meio da explicação ele diga: “O senhor vai virar a esquerda naquela esquina ai depois passa um queijim, outro e depois de um quebra mola tem umas tartarugas…”  Aí você pensa… queijinho? tartarugas? deve ser uma barraca que vende queijos e as tatarugas deve ser um zoológico ou coisa assim, mas não,  não é “queijinho” é “queijim” mesmo e na verdade é uma rotatória, e as “tartarugas” nada mais são do que aqueles obstáculos feitos de concreto para separar avenidas e delimitar áreas fechadas e afins.

Se de repente você ouvir um goiano dizendo: “vou ali buscar um trem”, com certeza ele não vai trazer uma locomotiva ou algo parecido, pois pra gente “trem” é qualquer coisa que agente possa pegar, mas também é um trem como em qualquer outro lugar do país, apesar da gente não ter muito contato com esse tipo de “trem”.

Então para que você não se perca por aqui, por que goiano adora dar informações erradas, elabaramos um micro-dicionário goianês-português para lhe auxiliar no entendimento dessa língua falada por mais de 5 milhões de brasileiros:

Deixa eu te falar – Com a variação Ow, deixa eu te falar. Introdução goiana para um assunto sério.

Deixa eu te perguntar – A mesma coisa que deixa eu te falar, mas usado, obviamente, quando você vai perguntar algo.

Chega dói – Chega a doer. Ex.: Deixa eu te falar, essa luz é tão forte que chega dói a vista. Na verdade essa forma pode ser usada com quaisquer outros verbos combinados com o verbo “chegar”. Ex.: chega arranha, chega machuca, chega engasga

Uai – Palavra que normalmente não tem sentido, mais ou menos como o tchê do gaúcho. Usado normalmente em respostas. Ex..: Pergunta: Ou você vai à festa hoje?; Resposta: Uai, vou de mais!.

Encabulado – Impressionado. Ex.: Estou encabulado que você nunca tenha ouvido alguém falar ‘chega dói’ antes.

Bão? – Goianês para “Tudo bem?” Também é usada a forma bããããão?

Tá boa? – Goianês para “Tudo bem?” usado para mulheres. Em outras regiões do Brasil seria interpretado de outra forma.

Bão mesmo? – É comum usar o “mesmo?” depois de coisas como “e aí, tá bom/bão”, como se pedisse uma confirmação de que a pessoa tá bem e não apenas fingindo que está bem.

Piqui – Pequi, fruto típico de Goiás, bastante usado na culinária Goiana.

Mais – substituto goiano da conjunção “E“. Ex.: Eu mais fulano estamos no Goiás.

No Goiás – Em Goiás.

Na Goiânia – Em Goiânia.

Pit Dog – Uma espécie de filho bastardo de uma lanchonete com uma barraquinha de cachorro-quente. Apesar desse nome estranho, os sanduíches são muito bons!

Tem base? – Expressão tão goiana que existe até em slogan impresso em bandeiras e camisetas exaltando o estado: “Sou goiano. Tem base?”. Pode ser traduzido como “Pode uma coisa dessas?”, só que usado com muito mais frequência.

Mandruvá– Mandorová.

Coró – mesmo que mandruvá.

Dar rata – Algo como cometer uma gafe. Ou seja, dar rata é o goianês para “fazer caca

Calçada – Pode significar: 1. Lugar para estacionar carros; 2. Local onde se colocam as mesas dos botecos e restaurantes. Note que não existe em Goiás calçada no sentido de lugar para pedestre, pois não sobra espaço para pedestres entre os carros e as mesas.

Anêim – Algo que parece ter vindo de “Ah, não!“, que virou “Ah, nem!” Mas às vezes é simplesmente usado na frase com um sentido de desagrado. Quando vejo escrito por aí, vejo o povo escrevendo “anein“, “aneim“, “anêim” e outras variantes.

Arvre – Árvore (isso me lembra “As arvres somos nozes”)

Arvrinha – Árvore pequena.

Arvrona – Árvore grande.

Madurar – Amadurecer.

Corguim – Lê-se córrr-guim. Diminutivo de corgo.

Corgo – Lê-se córrr-go. Córrego.

Quando é fé – Algo como de repente, ou até que. Ex.: “Estava no consultório do dentista, ouvindo aquele barulhinho de broca, e quando é fé sai um menininho chorando de lá.

Num dô conta – Pode ser traduzido como Não consigo, Não sei, não quero, não gosto, etc. No resto do país, não dar conta é usado mais no sentido de “não aguentar”. Por exemplo: Não dei conta do recado, ou Não dou conta de comer isso tudo sozinho. Já aqui em Goiás é usado para quase tudo. Ex.: Num dô conta de falar inglês (“não sei falar inglês”); Num dô conta de continuar em Goiânia nas férias (“Não quero/não aguento continuar em Goiânia nas férias); Num dô conta de imprimir usando esse programa (“não sei imprimir usando esse programa”).

De sal – Salgado. Ex.: Pamonha de Sal.

De doce – Se “de sal” é salgado, então “de açúcar” é doce, certo? Errado! Em Goiás as coisas não são doces, elas são de doce.

Caçar – Procurar. Goiano não procura, goiano caça. Ex.: “Estive te caçando o dia inteiro“. “Não sei onde está, mas vou caçar esse papel para você.”

Demais da conta – Em Goiás, deve-se evitar utilizar a palavra “demais” isolada. A forma correta é “demais da conta”. Ex.: “Gosto disso demais da conta!“. “Conheço a região demais da conta!

Custoso – Na definição significa teimoso.  Mas também é como se fosse algo que dê trabalho. “Esse moleque é custoso demais da conta!

Disco – Um tipo de salgado frito.

Voadeira – Voadora (o golpe, agressão).

Ou quá? – Algo como “ou o quê?”. Ex.: “Você vai sair com a gente ou quá?”

Vende-se este – Aqui em Goiânia é muito mais comum ver placas dizendo “Vende-se Este” colada num carro, do que simplesmente “Vende-se“. É como se quem escreveu pensasse “vende-se? Vende-se o que?“, mas também ficasse com preguiça de escrever “Vende-se este carro“. Fica o meio termo.

Fim de tarde – o Happy Hour já foi aportuguesado por aqui. Chama-se “Fim de tarde“, é aquela hora que você sai do trabalho e vai tomar uma com os amigos. Acompanha espetinho e feijão tropeiro, é claro!

Fi – Creio que vem de “Filho”, é usado no fim da frase, como se fosse um “tchê” gaúcho ou um “meu” paulista. Ex.: “Esse é o melhor, fi!“, “Nossinhora, fi! Bão demais da conta!“.

E pra terminar:

Goiano não chama a polícia, chama “uzômi”. Goiano não sente agonia, ele “sente gastura“. Goiano não diz como vai, diz “cumé que cê tá”. Goiano não liga o pisca, “dá seta”. Goiano não para no semáforo, para “no sinal”. Pra Goiano as coisas não estragam, “tá ruim”. Goiano não come pão francês, come “pão de sal”. Goiano não chupa Tangerina, chupa “Mixirica”. Goiano não acha alguns alimentos sem açúcar, acha “sem doce”. Goiano não lava com esponja, lava com “bucha”.

E posso te falar uma coisa? Ser goiano é “bão” de mais da conta!

 

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