Intrometido

 
O amor ás vezes chega
E a gente nem pediu
Ele se enfia no meio do dia
Refaz os planos
O amor ás vezes atrasa
Desencontra
Erra o caminho
Se doa pra quem não quer
O amor é engraçado
Sentimento avoado
Que num presta atenção se é bem vindo
O amor sempre cantado
Um troço as vezes errado
Pouco prático
Insistente
Erra de casa, esquece telefone
Desisti e depois acha que volta
O amor é independente
Num respeita o que a gente sente
E quer nos fazer sofrer
O amor troca as palavras
Distorce a verdade
Retorce a cabeça
E num sabe o que faz
Ele vive dentro da gente
Mas nem sempre ouve o que a gente diz…
Mas sem amor,
Mesmo que seja só  seu
Não da pra ser feliz…
Do Blog da Autora

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O amor acaba

O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.

Paulo Mendes Campos

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O Amor Impossível: Realizado

 

O choro que me veio veio como veio
E aí passei de mim para todos, todas
As canções feito aquela, a que ouvi no passeio
De táxi ao Lago Azul, a uma festa entre rodas.

A verdadeira descoberta foi o amor
Impossível tornado possível, irreal
Realizado sabe-se lá como for,
Como foi, como flor, como vem, como qual.

O que achei que entendi foi mais que só o amor:
Foi feito entendesse a natureza felina,
A flora e fauna, o tom do ronronar, a cor,
Aquilo que é dela, bem dela, bem ali na…

Enfim: não sós. Assim: sem nós. Por mim: nem pós.
O que antes sempre vou amar agora e após.

 

Do Blog O Surtado

 

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Não Sei

Onde está a alegria?
Onde está a emoção, o amor?
Foram embora, não existem mais
ou será que se esconderam
Não, o amor é esdrúxulo
ele bate, esmaga e some; finge!
Ele diz que não está ali pra pisar
pra esmagar, te ver sofrer…
O que é o amor? Para mim ele é ódio!
Se ele destrói, mata, bate, fere
de que adianta… O amor verdadeiro…
Que amor verdadeiro? Isso existe?
Ódio verdadeiro sim, esse existe!
Amor? Alegria? Poupe-me!
Não passam de fantasias quebradiças
da miríade psicológica humana…
Se existe o amor? Há!
Eu acho que não!

João Paulo Arantes