Fica Proibido

O que é verdadeiramente importante?
Busco dentro de mim a resposta,
e me é tão difícil encontrar.

Falsas idéias invadem minha mente,
Acostumada a mascarar o que não entende,
Atordoado em um mundo de ilusões irreais,
Em que a vaidade, o medo, a riqueza,
A violência, o ódio, a indiferença,
Convertem-se em heróis amados,
Não me admira que exista tanta confusão,
Tanto distanciamento de tudo, tanta desilusão!

Você me pergunta como se pode ser feliz,
Como, entre tantas mentiras, alguém pode conviver,
Cada um é quem tem que responder,
Mas, para mim, aqui, agora e para sempre:

Fica proibido chorar sem aprender,
Acordar um dia sem saber o que fazer,
Ter medo das minhas memórias,
Sentir-me só alguma vez.

Fica proibido não sorrir para os problemas,
Não lutar por aquilo que eu quero,
Abandonar a tudo por sentir medo
Não converter meus sonhos em realidade.

Fica proibido não lhe demonstrar meu amor,
Fazer com que pagues pelas minhas dúvidas e meu mal humor,
Inventar coisas que nunca me aconteceram,
Lembrar-me de você apenas em sua ausência.

Fica proibido abandonar aos meus amigos,
Não tentar compreender o que vivemos,
Chamá-los somente quando eu preciso deles,
Não ver que nós também somos diferentes.

Fica proibido não ser eu mesmo perante as pessoas,
Fingir diante daqueles que não me interessam,
Parecer engraçado, para que se lembrem de mim,
Esquecer todos aqueles que me amam.

Fica proibido não fazer as coisas por mim mesmo,
Não crer no meu deus e encontrar o meu destino,
Temer à vida e à suas punições
Não viver cada dia como se fosse o último suspiro.

Fica proibido sentir saudades sem alegria,
Odiar os momentos que me fizeram amar você,
Simplesmente porque nossos caminhos se desabraçaram,
Esquecer o nosso passado e confundi-lo com nosso presente.

É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que suas vidas valem mais que a minha,
não saber que cada um tem seu caminho e destino,
sentir que diante da ausência o mundo se acaba.

É proibido não criar a minha história,
deixar de agradecer à minha família pela minha vida,
não ter tempo para as pessoas que precisam de mim,
não compreender que o que a vida nos dá, ela também nos tira.

Alfredo Cuervo Barrero

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Não Resisto

Entrego-me!
Não resisto a mais nada…
Quero sofrer, o que há para ser sofrido
Gozar o que há para ser gozado
Amar quem tiver, por mim, de ser amado.

Não me importo mais!
Esse pensamento de evitar os sofrimentos
Já me deixou por muito tempo
Nua rua vazia, sem roupa e sem fala.

Encontrar o que deseja, pode ser que seja
Das maiores aventuras, deveras uma piada.
Morrerei um dia é certeza…
Porque afinal, privar-me de ver a beleza e a maldade
Todos juntos numa mesma jogada?

Parei!
Quero é viver dona de mim mesma
Descobrindo ruas, deixando pistas
E até não descobrindo nada.

Mariana Duarte

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Transborde

Sabia que você não deve procurar alguém que te complete? Completar é algo raro hoje em dia, mas possível, porém com o passar do tempo e dos acontecimentos da vida, pessoas parecidas tendem a se saturar, ou seja, passam a não se interessarem um pelo outro, ou pior, a não instigarem em seu avesso, o todo. Na verdade, apesar de ser algo extremamente difícil, temos que nos completar sozinhos, e buscar alguém que nos invada, nos tire do lugar comum, nos leve a lugar nenhum, nos traga dúvida e devaneio, nos atire na loucura e diga a que veio, nos jogue das alturas e nos acerte em cheio, pois, o que faz a canção é rimar o sopro e não a melodia, o que causa paixão é mar revolto e não a calmaria. Não busque o silêncio, o final, mas sim os acordes. Não procure o certo, o sem sal, mas o que te transborde.

*Inspirado em escritos de Clarice Lispector e Fabrício Carpinejar

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Um Homem Otimista

Jorge era um homem otimista, gostava de namorar, tinha muitas mulheres e pouca responsabilidade. Muita gente o considerava irresponsável, principalmente suas ex-amantes que tinham dificuldade em criar os filhos, se bem que a paternidade também era uma grande dúvida.

Curiosamente, as ex-amantes e filhos sempre conseguiam acertar a vida de alguma forma, enquanto ele continuava sua vidinha dura de sempre.

Ele era galante e sempre estava a procura de uma mulher bonita, atraente e que lhe interessasse, quase sempre conseguia conquistar seu objeto do desejo.

O tempo passou e Jorge envelheceu, mas ninguém notava, já que ele era muito conservado e aparentava ser um irmão de seus filhos. Entretanto, a vida ia se tornando cada vez mais difícil, já não era tão jovem, apesar das aparências.

Com a vida “cada vez mais devagar” e o tempo cada vez mais acelerado, a ideia de que o mundo um dia poderia acabar, passou-lhe pela primeira vez em sua mente. Jorge, que já conseguia controlar os seus ímpetos, encontrou o seu verdadeiro amor e decidiu construir o seu castelo dos sonhos.

Passava o tempo todo trabalhando e parou de beber, fumar e arriscar a sorte, de fato já encontrara a sua sorte, pensava.

Convidado para conhecer uma igreja, pensou que essa seria a hora de demonstrar ao seu amor o quanto era um bom homem. Agora o seu tempo vago era dedicado às leituras frequentes da Bíblia e à sua companheira.

Todas as pessoas admiravam a mudança radical pela qual aquele homem havia passado e não era raro algumas pessoas demonstrarem inveja.

Quando a sua vida já se encaminhava para as primeiras grandes conquistas, um fato inesperado aconteceu. O homem ao qual Jorge tanto confiava e considerava o seu melhor amigo, traiu a sua confiança.

Descobriu da maneira mais difícil que seu amigo havia fugido com sua esposa.

Perdera a esposa, o amigo e todo o tempo que havia dedicado a sua nova vida. De fato, seu castelo desmoronou, quando alguém lhe disse que sua esposa havia fugido com o pastor de sua igreja.

Agora, ele nem procurava um motivo para o que acontecera, afinal, todo o dinheiro que ele vinha economizando para comprar sua própria casa, perdeu a serventia, sua mulher não reclamou nada que fosse dele.

Pediu dispensa do emprego e decidiu mudar para longe dali, para uma cidade grande. Confiante como era, queria esquecer o mais rápido possível de sua infelicidade, felizmente tinha dinheiro para a mudança.

Já estava morando na cidade grande, mas a idade avançada parecia não ajudar muito. Um dia se perdeu em pensamentos e foi atropelado, levou algum tempo para se recuperar, entretanto, um dos muitos filhos que tivera o ajudou.

Não demorou para que tivesse de voltar para casa, onde encontraria o aconchego de um de seus muitos filhos, que via nele um homem bom, bem longe da opinião dos outros que só viam o homem irresponsável.

Algum tempo depois, o homem otimista morreu, sempre acreditando que viveria muito mais e, em nenhum momento, pensou que iria morrer, nem mesmo depois que já estava morto.

Ele se tornou o fantasma mais otimista do cemitério onde morava. Havia conseguido finalmente o seu castelo, pequeno, mas muito confortável – não precisava mais – pensou.

Leia o original.

 

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