Marcelo Jeneci

“Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.”

Compositor paulistano multiinstrumentista, filho do pernambucano autodidata (Manoel Jeneci) “que sempre ganhou a vida consertando aparelhos eletrônicos, eletrodomésticos e instrumentos musicais – soube pelos freqüentadores de sua oficina que Chico César procurava um músico para tocar sanfona e piano em sua turnê internacional. Marcelo tocava piano e treinava nas sanfonas que os clientes do pai deixavam para consertar, mas não tinha seu próprio instrumento. O problema foi resolvido quando um dos habitués da oficina de seu Jeneci, Dominguinhos, resolveu presentear o menino com uma peça de sua coleção. Marcelo tirou passaporte e iniciou seu primeiro trabalho como músico profissional, com a sanfona do mestre, ao lado de Chico César, atualmente seu parceiro na faixa “Felicidade”, que, não por acaso, abre o primeiro disco do compositor.”

Com o disco “Feito Pra Acabar” lançado em outubro de 2010, preenchido por lirismo e um ar urbano e popular, composições gravadas por artistas renomados (Amado, por Vanessa da Mata em 2009), Marcelo declarou ao site “O Globo“: “Fui abençoado por um crivo popular, vendo TV aberta e filmes mais do que lendo livros – conta Jeneci. – Cresci ouvindo a música que meu pai consumia: Roberto Carlos, Alceu Valença, trilhas de cinema tipo “Labirinto”, “História sem fim”, “Carruagens de fogo”, Jean-Michel Jarre, essas coisas. Na adolescência, muito rádio e muita novela. Minha formação se deve muito ao fato de eu ter nascido numa periferia (Guaianases, distrito da Zona Leste de São Paulo), onde só chegava o que era mais pop. Não conhecia os discos dos artistas, apenas as canções que tocavam no rádio ou na TV. Não que eu considere privilégio crescer vendo TV aberta ou, por outro lado, lendo filosofia. Penso que as duas coisas são muito valiosas. Só estou dizendo que minha base, o tronco da minha formação, é popular. Tudo o que faço passa um pouco por aí. Os galhos é que me levaram à alta cultura, à poesia mais profunda.”

Falando em música popular, essas românticas embaladas por uma doce melodia de piano, ouça conosco Felicidade:

Acompanhado pela talentosa Laura Lavieri em muitas faixas do disco,

Copo D’água

o artista esclarece que suas composições somente fluíram depois que começou a tocar violão e guitarra, pois embora tivesse uma tremenda habilidade com a sanfona, esse excesso de habilidade de certo modo atrapalhava na criação. Foi na guitarra que as canções surgiram.

A seguinte composição é de Tulipa Ruiz, vale conferir:

Dia a Dia, Lado a Lado

Se você ainda não conhecia o trabalho de Jeneci, não deixe de ouvir as outras faixas do disco na Radio Lunar, vale muito a pena! Lá também estão os links do site e da página do Facebook do cantor.

E que tal alguma coisa Pra Sonhar?

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Tribos

Quem vive em cidade grande está acostumado a se deparar com grupos de jovens que compartilham, entre outras coisas, de uma ideologia (às vezes questionável, é certo), um modo de vestir e agir. São as chamadas tribos urbanas, um fenômeno social alimentado, na maioria das vezes, pelas injustiças da sociedade capitalista, ou em alguns casos, da própria mídia.

Segundo o criador do termo, o sociólogo francês Michel Maffesoli,“tribos urbanas” são um grupo de pessoas reunidas por um interesse em comum. Podem ser formadas a partir de qualquer rede social em que o indivíduo encontra-se inserido, seja ela vizinhança, laços de amizades ou qualquer outro. Esses micros grupos são caracterizados pela forma de se vestir, condutas de vida, hábitos e conformidade de pensamentos, não sendo obrigatório encontrarmos todas as características citadas para identificar uma tribo.

Existe um ponto que é comum a quase todas as tribos sociais: a liberdade. Na maioria dos discursos é possível encontrar uma palavra de ordem que brada contra qualquer tipo de controle social. Contraditoriamente, a maioria desses grupos impõe aos seus signatários um rígido controle: a música ouvida e os modos de vestir, falar e pensar, são absolutamente padronizados. Quem destoa, é expulso. Conheça, abaixo, as principais tribos urbanas de todos os tempos:

Skinheads: é uma subcultura nascida na Inglaterra entre os jovens brancos de classe média e classe média alta, a partir da década de 80. Originalmente, os skinheads não estavam ligados a movimentos xenófobos. A mudança ocorreu quando os cabeças raspadas juntaram-se a grupos neonazistas. A estética skinhead apresenta um estilo característico de se vestir: usam coturnos, suspensórios e camisetas. Praticam musculação, o que caracteriza um excessivo culto à virilidade.

Clubber: termo surgido na década de 90 usado para designar os frequentadores de danceterias especializadas em Techno, um estilo de música eletrônica. Os clubbers, em geral, vestem-se de maneira extravagante exagerando nas cores e no brilho.

Grunge: foi um movimento musical independente nascido na cidade de Seattle, Estados Unidos, no início da década de 90. Alguns sites classificam esse “movimento” como algo inventado pela mídia interessada em promover a cena musical de Seattle. Seja como for, a onda grunge correu o mundo e mais uma tribo urbana ganhou vida. A estética grunge exaltava a melancolia e a depressão. O maior ícone do movimento grunge foi o vocalista da banda Nirvana, Kurt Cobain, que se matou em 1994.

Nerd: é uma forma pejorativa de se designar uma pessoa extremamente intelectualizada. No Brasil os nerds também são chamados de CDF, abreviação da expressão “cu de ferro”, usada para designar pessoas que passam longas horas sentadas estudando. Hoje em dia, o termo nerd perdeu quase que totalmente o seu caráter pejorativo, já que as pessoas que se enquadram nesse estilo se assumem como tal.

Metaleiro: termo usado para designar os fãs do estilo musical heavy metal entre as décadas de 70 e 80. Também conhecidos por “headbangers”, hoje em dia os metaleiros são vistos como uma tribo decadente e ultrapassada. Foram os metaleiros que criaram a saudação em forma de corneto muito usada até hoje nos shows de rock pesado.

Indie: O termo nascido da abreviação de “independent” refere-se à indústria de artes e performance, que se estruturou paralela às grandes empresas do ramo. Toda e qualquer atividade, do mundo das artes e do entretenimento, que se sustenta de forma independente é chamada de indie. Mas o termo não designa apenas a forma como as bandas se promovem, mas sim ao estilo de vestir e viver, de seus integrantes, e fãs. Ainda temos algumas variantes como o indie rock e o indie pop que apesar de parecidos, diferem muito em suas origens.

Hippie: movimento surgido em 1965 na cidade de São Francisco que pregava, entre outras coisas, uma sociedade alternativa. O movimento ganhou força com o surgimento dos beatniks, um grupo, de escritores e artistas, que exaltava e copiava a estética hippie. No Brasil, o movimento hippie sofreu distorções e era constantemente associado à vagabundagem.

Gótico (versão pop): nascida no início da década de 80, a cultura gótica está intimamente ligada a um estilo musical da mesma década. Influenciado pelo niilismo e pelo hedonismo, o movimento exalta temas normalmente evitados pela sociedade: tristeza, morbidez, depressão e outros. Os góticos vestem-se sempre de preto, usam maquiagem e cabelos extravagantes.

Emo: nascido da abreviação de “emotional”, o termo surgiu na capital dos Estados Unidos, Washington, para designar bandas de rock que faziam uma música carregada de lirismo. No início da década de 90 a estética emo já havia se difundido pelos Estados Unidos e pela Europa. A partir de então surgiram muitas outras tribos derivadas dessa estética. O emo é facilmente identificado pelo cabelo – geralmente uma franja caída sobre os olhos – e pelo comportamento excessivamente emotivo.

Punk: o movimento punk surgiu nos subúrbios de Londres em meados da década de 70. Filhos de operários começaram a se reunir para criticar e protestar contra o que eles chamavam de “decadência social inglesa”. Várias bandas de rock surgiram nessa época fazendo uma música de poucos acordes e letras de protesto. O movimento cresceu sob a articulação do produtor Malcolm McLaren.

Sendo assim, podemos classificar como tribo um grupo de pessoas que se reúne por um único interesse em comum (podendo ser qualquer um) e que, de uma forma ou de outra, expõem suas idéias, nem que seja apenas um para o outro. Tribos não precisam necessariamente ter todos os seus membros parecidos ou com um mesmo gosto musical (apesar de normalmente ser assim), o que eles precisam é apenas um motivo para estarem juntos.

E aí, você é de alguma tribo? Ou pra você quem tem tribo é índio?

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O Homem Que Queria Um Nobel

Dia desses Amadeu acordou com uma vontade desesperada de ganhar um prêmio Nobel. Assim, bem simples.

Podia ser um de física, talvez química, quem sabe literatura, e até (e por que não?) de medicina! “Afinal, as doenças estão aí para serem curadas!” – pensava ele. Mas a verdade é que Amadeu se contentava até com um Nobelzinho de economia, daqueles que todos esqueceriam mais tarde.

E deste modo, com uma disposição hercúlea para o trabalho, acordou com o pé esquerdo (*) e se pôs a encontrar um assunto no qual pudesse se envolver completamente. Começou pensando em desenvolver uma teoriazinha bem básica, uma que unificasse todas as teorias físicas existentes, uma “teoria da unificação universal”.

“Acho que esse trabalho vai me consumir algumas horas” – pensou Amadeu – “Mas como eu não tenho muita coisa pra fazer nessa semana, e como sete dias bem trabalhados podem render um mundo, vou começar agora”.

Ao final do quarto dia ele já estava conseguindo se lembrar direitinho como é que se faziam as quatro operações. Ficou-lhe evidente que aquilo não seria o bastante para descobrir os segredos do universo. Resolveu então abandonar suas teorias físicas revolucionárias e partir para algo mais palpável. Debruçou-se violentamente sobre o estudo da biologia, e tamanha foi a violência de seu debruçamento que acabou pegando no sono quase instantaneamente.

Tornou-se óbvio que descobrir uma vacina que acabasse com todas as doenças não seria uma tarefa para alguns dias. “Provavelmente eu gastarei semanas” – pensou.

Amadeu trabalhou por algumas horas e terminou convencido que se tivesse conseguido decifrar aquele livro de biologia da sexta série nada o teria impedido de ir a cabo com seu desígnio.

Resolveu, depois de muito pensar por uns dois ou três segundos, que ganharia um prêmio Nobel de literatura. Rapou sua caderneta de poupança e comprou o computador mais rápido que encontrou na loja de informática. Amadeu não queria que nada, nem aquele computador velhíssimo de dois anos que ele costumava usar, atrapalhasse o processo criativo de seu primeiro best-seller. Processo criativo que ele nem mesmo sabia o que significava e best-seller que ele não fazia a menor idéia de como começar, já que não gostava de ler, pois achava que “esses livros tem muitas letrinhas que a gente tem que ler para conseguir entender o livro que é cheio de letrinhas e sem figurinhas pra gente ver e ajudar a entender as letrinhas que a gente tem que ler pra entender esse livro sem figurinhas pra gente ver e pra não doer a cabeça”.

Dez minutos e muitas folhas amassadas depois, convenceu-se de que não estava inspirado e resolver partir para algo mais concreto. Resolveu ganhar o Nobel de economia, e começaria ganhando dinheiro na bolsa de valores. “Primeiro vou sentir o feeling do negócio pra dar aquele plus a mais e ficar podre de rico!” – raciocinava. Desistiu quando viu que não tinha nem um tostão no bolso e que estava devendo três meses no açougue.

Já estava perdendo as esperanças, mas decidiu tentar um Nobel em química. “Quem sabe eu não invento uma Coca-Cola melhorada ou um novo tipo de eliminador de mau hálito?” – perguntava-se. E pôs em prática sua empreitada num galpão nos fundos de sua casa. Pegou todos os produtos químicos que encontrou pela frente e iniciou seu alquímico experimento:

“Duas pitadas de noz-moscada, meio litro de alcatrão, Ajax, tempero pra pizza…deixe-me ver… sal-amoníaco, farinha Láctea, fermento, duas colheres de nitrato de potássio, acetato de vinilo? Ah, vai também…Cânfora, terebintina, permanganato de potássio, mercúrio cromo…e…que mais…hã….um pouco disso, um pouco daquilo, mais um pedaço disso aqui e Voilà! Acho que está pronto!”

Amadeu bateu tudo no liquidificador e bebeu seu precioso caldo sonhando com as glórias que viriam. Quando acordou estava na UTI da Santa Casa de Misericórdia se recuperando de uma intoxicação quase fatal e de queimaduras em todo o aparelho digestivo.

Algumas semanas depois, após convencer os médicos e as autoridades de que não se tratara de uma tentativa de suicídio, Amadeu recebeu alta.

Hoje Amadeu nem pensa mais nessa história de prêmio Nobel e de reconhecimento da comunidade científica. Sua nova meta é entrar para o Guinness como o ser humano que ficou mais tempo na frente de um aparelho de televisão, bebendo cerveja e sem tomar banho.

Dizem que ele anda muito desanimado com a concorrência.

(*) Ele realmente gostaria de ter acordado com o pé direito, mas sua cama tem o lado direito encostado na parede. Dessa forma, a única maneira dele acordar com o pé direito é fazendo um buraco no referido obstáculo e completar seu perfeito despertar no quarto do vizinho.

Moral: A maioria prefere parar num “Nobilis” a tentar um Nobel.

Do Blog Diário de um Lunático

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A Nave | Vestida de SonhoGravi Leve

É Carnaval

É Carnaval!

Então, e o que isso tem de bom?

‎”Custei a compreender que a fantasia é um troço que o cara tira no carnaval, e usa nos outros dias por toda a vida.” Aldir Blanc e João Bosco

Com a alegria contagiante que exala meu rosto e o resto de mim, meio como um paradoxo sem reflexo, sem nexo, sem rima, sem fim, tento escrever algo que faça sentido. Pensei em brincar com as máscaras, que todos usamos e tiramos, mas achei uma ideia meio batida, então parti para ignorância, e tentei buscar razões para não se gostar dessa data, mas notei então, que até mesmo eu, um dia já se entregou as mazelas do carnaval. A verdade é que não gostar de carnaval no Brasil, é meio como um havaiano não gostar de ula, ou como um americano preferir bocha  ao beisebol; você é visto meio que como um ET, ou pior, como um ser digno de pena!

Antigamente até que curtia esse feriado, mas com o tempo vai se perdendo a graça em tudo, pois você amadurece! E não, amadurecer não é ruim, é a melhor coisa do mundo! Sinceridade, a mulher é uma obra prima de Deus, e como tal, não deveria se sujeitar a se mostrar como um objeto em trajes minúsculos em uma escola qualquer! Em qualquer outra época do ano, o ato de uma mulher semi-nua andar pela rua é considerado um atentado violento ao pudor e pode ser punido até com a prisão. Mas durante o Carnaval, as pessoas se permitem e acham que tudo está liberado, perdem a noção do bom gosto, se perdem totalmente em suas convicções e se deixam levar pelas ideias propagadas na mídia.

Outra coisa, vamos deixar uma coisa bem clara: samba-enredo não é samba, axé (em sua maioria) não tem letra e funk não tem nada haver com música!

Pra você que como eu prefere um solo de guitarra, um acorde torto ao confete, o Pierrô e a Colombina, separarei cinco sons pra quem não tá nem aí pra festa profana.

Pra começar Miss Celie’s Blues  na voz de Marjorie Estiano pra animar o contexto:

Essa é do Teatro Mágico, pra levantar e balançar o bloco e as estruturas:

Uma da Banda Mais Bonita, pra acalmar os instintos:

Essa é pra quem gosta de viajar, longe, Nave a dentro:

E pra terminar o Samba de Preto do Huaska:

“Tudo o que eu mais queria era pular o carnaval. Tipo acordar amanhã e já ser quarta.” Tati Bernardi

E aí, o que você tem ouvido por aí?

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Igor de Carvalho | Maricel IorisIngrid Michaelson