Tribos


Quem vive em cidade grande está acostumado a se deparar com grupos de jovens que compartilham, entre outras coisas, de uma ideologia (às vezes questionável, é certo), um modo de vestir e agir. São as chamadas tribos urbanas, um fenômeno social alimentado, na maioria das vezes, pelas injustiças da sociedade capitalista, ou em alguns casos, da própria mídia.

Segundo o criador do termo, o sociólogo francês Michel Maffesoli,“tribos urbanas” são um grupo de pessoas reunidas por um interesse em comum. Podem ser formadas a partir de qualquer rede social em que o indivíduo encontra-se inserido, seja ela vizinhança, laços de amizades ou qualquer outro. Esses micros grupos são caracterizados pela forma de se vestir, condutas de vida, hábitos e conformidade de pensamentos, não sendo obrigatório encontrarmos todas as características citadas para identificar uma tribo.

Existe um ponto que é comum a quase todas as tribos sociais: a liberdade. Na maioria dos discursos é possível encontrar uma palavra de ordem que brada contra qualquer tipo de controle social. Contraditoriamente, a maioria desses grupos impõe aos seus signatários um rígido controle: a música ouvida e os modos de vestir, falar e pensar, são absolutamente padronizados. Quem destoa, é expulso. Conheça, abaixo, as principais tribos urbanas de todos os tempos:

Skinheads: é uma subcultura nascida na Inglaterra entre os jovens brancos de classe média e classe média alta, a partir da década de 80. Originalmente, os skinheads não estavam ligados a movimentos xenófobos. A mudança ocorreu quando os cabeças raspadas juntaram-se a grupos neonazistas. A estética skinhead apresenta um estilo característico de se vestir: usam coturnos, suspensórios e camisetas. Praticam musculação, o que caracteriza um excessivo culto à virilidade.

Clubber: termo surgido na década de 90 usado para designar os frequentadores de danceterias especializadas em Techno, um estilo de música eletrônica. Os clubbers, em geral, vestem-se de maneira extravagante exagerando nas cores e no brilho.

Grunge: foi um movimento musical independente nascido na cidade de Seattle, Estados Unidos, no início da década de 90. Alguns sites classificam esse “movimento” como algo inventado pela mídia interessada em promover a cena musical de Seattle. Seja como for, a onda grunge correu o mundo e mais uma tribo urbana ganhou vida. A estética grunge exaltava a melancolia e a depressão. O maior ícone do movimento grunge foi o vocalista da banda Nirvana, Kurt Cobain, que se matou em 1994.

Nerd: é uma forma pejorativa de se designar uma pessoa extremamente intelectualizada. No Brasil os nerds também são chamados de CDF, abreviação da expressão “cu de ferro”, usada para designar pessoas que passam longas horas sentadas estudando. Hoje em dia, o termo nerd perdeu quase que totalmente o seu caráter pejorativo, já que as pessoas que se enquadram nesse estilo se assumem como tal.

Metaleiro: termo usado para designar os fãs do estilo musical heavy metal entre as décadas de 70 e 80. Também conhecidos por “headbangers”, hoje em dia os metaleiros são vistos como uma tribo decadente e ultrapassada. Foram os metaleiros que criaram a saudação em forma de corneto muito usada até hoje nos shows de rock pesado.

Indie: O termo nascido da abreviação de “independent” refere-se à indústria de artes e performance, que se estruturou paralela às grandes empresas do ramo. Toda e qualquer atividade, do mundo das artes e do entretenimento, que se sustenta de forma independente é chamada de indie. Mas o termo não designa apenas a forma como as bandas se promovem, mas sim ao estilo de vestir e viver, de seus integrantes, e fãs. Ainda temos algumas variantes como o indie rock e o indie pop que apesar de parecidos, diferem muito em suas origens.

Hippie: movimento surgido em 1965 na cidade de São Francisco que pregava, entre outras coisas, uma sociedade alternativa. O movimento ganhou força com o surgimento dos beatniks, um grupo, de escritores e artistas, que exaltava e copiava a estética hippie. No Brasil, o movimento hippie sofreu distorções e era constantemente associado à vagabundagem.

Gótico (versão pop): nascida no início da década de 80, a cultura gótica está intimamente ligada a um estilo musical da mesma década. Influenciado pelo niilismo e pelo hedonismo, o movimento exalta temas normalmente evitados pela sociedade: tristeza, morbidez, depressão e outros. Os góticos vestem-se sempre de preto, usam maquiagem e cabelos extravagantes.

Emo: nascido da abreviação de “emotional”, o termo surgiu na capital dos Estados Unidos, Washington, para designar bandas de rock que faziam uma música carregada de lirismo. No início da década de 90 a estética emo já havia se difundido pelos Estados Unidos e pela Europa. A partir de então surgiram muitas outras tribos derivadas dessa estética. O emo é facilmente identificado pelo cabelo – geralmente uma franja caída sobre os olhos – e pelo comportamento excessivamente emotivo.

Punk: o movimento punk surgiu nos subúrbios de Londres em meados da década de 70. Filhos de operários começaram a se reunir para criticar e protestar contra o que eles chamavam de “decadência social inglesa”. Várias bandas de rock surgiram nessa época fazendo uma música de poucos acordes e letras de protesto. O movimento cresceu sob a articulação do produtor Malcolm McLaren.

Sendo assim, podemos classificar como tribo um grupo de pessoas que se reúne por um único interesse em comum (podendo ser qualquer um) e que, de uma forma ou de outra, expõem suas idéias, nem que seja apenas um para o outro. Tribos não precisam necessariamente ter todos os seus membros parecidos ou com um mesmo gosto musical (apesar de normalmente ser assim), o que eles precisam é apenas um motivo para estarem juntos.

E aí, você é de alguma tribo? Ou pra você quem tem tribo é índio?

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Olha a Vernácula | Rafael MoraisBIM

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