Moteto de Uma Só Voz


Às vezes fico pensando nas primeiras criações; aquelas sem fonte de inspiração; a primeira poesia, os primeiros versos, a primeira música… E de onde será que tudo isso nasceu?
Muitas vezes parece que a vida é um eterno refazer, uma reciclagem universal, onde só há evolução quando se recombina as coisas certas, mas as certas que já existiam antes. Nessas tentativas de recriar o que já existe é que surgem os erros estrondosos dados como acertos. É aí que aparece o inverso do que se procura, e que, apesar da aparência disforme, é dado como belo.
Como surgiu, não sei. E para onde está caminhando então?
Será que depois que todas as notas, todas as harmonias, acordes, semitons e  instrumentos forem descobertos e conhecidos, nossa música será o silêncio? Nossas vogais e sílabas serão simples olhares?

O homem pré-histórico produzia música com caráter religioso e ritualístico, batendo as mãos e os pés com um ritmo definido, agradecendo aos deuses ou buscando sua proteção para a caça ou a guerra.
Na mitologia grega, depois da vitória do Olimpo sobre os seis Titãs filhos de Urano, Zeus teve com Mnemosina (a deusa da memória) nove filhas, as chamadas Musas, dentre as quais estavam Arche (representando o canto), Euterpe (música), Terpsícore (dança) e Melpômene (a poetisa – representando a tragédia).
Para os egípcios a música é uma invenção de Osiris. Para os judeus, Jubal foi o ancestral de todos os músicos.
Os nomes das notas, com origem medieval, fazem referência a um hino a São João Batista, o padroeiro da música (Ut queant laxis/ Resonare fibris/ Mira gestorum/ Famuli tuorum/ Solve polluti/ Labii reatum/ Sancte Ionnaes).

Com o passar do tempo e o desenvolvimento da música e do cenário em que a mesma atuava, foi vendo-se a presença cada vez maior de instrumentos nos lares, como flautas, alaúdes, violas e órgãos (no período da Renascença).
Houveram grandes marcos como o surgimento das grandes Óperas, que unem intimamente representação teatral e música. E mais tarde, o desenvolvimento da música clássica.
Nesse mesmo período – em que o músico era apenas um criado que, depois de fornecer música para fundo de jantares e conversas, ia jantar na cozinha com os demais empregados da casa. A obra musical precisava respeitar e refletir as emoções da corte. A imaginação criadora não era bem vinda se representasse a quebra das estruturas tradicionais. – vemos Mozart que não aceitou estes limites e foi fadado ao esquecimento e o deixado morrer como um mendigo, e  Beethoven, que foi o primeiro a decidir que não devia obrigações a ninguém e exigiu ser respeitado como artista. Com Beethoven deu-se início ao pensamento Romântico. Instrumentistas habilidosos assombravam as plateias.

O século XX trouxe consigo novos estilos, tendências e, em suma, uma nova concepção do que é música. “Sons desconhecidos tirados de instrumentos conhecidos; sons inteiramente novos, provenientes de aparelhagens eletrônicas e fitas magnéticas.”

E talvez não será mesmo o passado, ou os “deuses”, ou as regras desenvolvidas que nos mostrarão o princípio e os fins da música, bem como das outras artes, mas nós mesmos nos descobriremos, como o temos feito através das eras e por meio de sons, ritmos, barulhos, histórias contadas, imaginadas e representadas; canções, e os registros de nossos sentimentos.

A música é enfim, uma representação abstrata da alma humana!

Fontes: http://www.oliver.psc.br  e textos variados encontrados na internet.

*Motetos são peças escritas para no mínimo quatro vozes, cantados geralmente nas igrejas. Fazem parte do período Renascentista.

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