Sim, Está Tudo Certo!


Sim, está tudo certo…
São proibidas as margens curtas…
As regras definidas
Os computadores proibiram os versos!
Afinam as regras de mercado!

O teclado transformou o papel
Num papel ilustrado.
Esta vida é um burel,
Que me deixa prostrado.
Ainda, assim, continuo vivo
Nas palavras combinadas de azul:
De um azul sem rimar
Tingido de púrpura
Atingido de fel…

O plástico do teclado
Tem as letras apagadas,
Os números debotados
E os cifrões transfigurados.
As letras são, agora, percentagens.
Os pontos sociedades anônimas,
De rostos limitados,
Limitam o meu tempo.

Enfrento o computador…
O monitor não faz parte da poesia!
A poesia prefere as flores,
Entranhas,
Por onde perpassa a luz.
Hoje não há poesia!

Poderia tentar um poema de amor.
Amor não!
A dor é maior que as dores.
Só o canto me apaixona!
Só o canto me desencanta!
Amores e desamores
O meu não partiu!
Paro de bater no teclado!
Não sai nada…
Nada se viu!
Ando às cegas!
Que importa ver?
A fórmula diz tudo…
As regras são impostas
Que importa saber
Se o jogo já começou…

Peito aberto!

E na ferida do meu peito
Deixo encoberto,
Na amargura e na dor,
Palavras que se soltam
De um computador…

“Sim está tudo certo
Está tudo perfeitamente certo
O pior é que está tudo errado”

Extraído de um Poema de Fernando Pessoa

 

(Rogério Martins Simões)

 

Leia o original no blog do autor

 

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