A Coletora


Ela colecionava corações.
À medida que caminhava no campo
Colhia afetos;
um por um.
Escolhia-os sabiamente
Como flores que desabrochavam com perfeição

Ela calçava sandálias de veludo,
que era para não ferir a música que nutria o solo.
Andava leve e devagar
Em absoluto silêncio
E este, para não espantar a saudade

Tinha os cabelos ruivos
cor de sangue.
O sangue que sorvia dos corações desajustados.
Nunca erguia demais seu olhar,
que era para o Sol não tirar sua atenção

Tinha mãos fortes,
não obstante, delicadas.
Recolhia com maestria os corações,
esses que cativava com os olhos seus.

Nunca demorava mais que o tempo de uma breve tarde
para tomar os corações escolhidos
Alimentava-se do insano prazer
de ouvir seu palpitar desesperado.

Ria-se de saber que os havia condenado a um cárcere perpétuo.
O amor, a saber
E assim abandonava-os acorrentados às lembranças
de afagos que jamais passaram da realidade de um olhar,
de amores forjados pela penumbra da imaginação.

 

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