O Amor e a Amizade

Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade…
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.

 

(Autor Desconhecido)

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Sou goiano, tem base?

Se você não conhece Goiás e um dia se aventurar por essas bandas, pode estranhar o modo engraçado e até mesmo peculiar de como nos relacionamos com as coisas e as pessoas. Para se ter uma idéia ao pedir informações para algum tranzeunte, é bem capaz que no meio da explicação ele diga: “O senhor vai virar a esquerda naquela esquina ai depois passa um queijim, outro e depois de um quebra mola tem umas tartarugas…”  Aí você pensa… queijinho? tartarugas? deve ser uma barraca que vende queijos e as tatarugas deve ser um zoológico ou coisa assim, mas não,  não é “queijinho” é “queijim” mesmo e na verdade é uma rotatória, e as “tartarugas” nada mais são do que aqueles obstáculos feitos de concreto para separar avenidas e delimitar áreas fechadas e afins.

Se de repente você ouvir um goiano dizendo: “vou ali buscar um trem”, com certeza ele não vai trazer uma locomotiva ou algo parecido, pois pra gente “trem” é qualquer coisa que agente possa pegar, mas também é um trem como em qualquer outro lugar do país, apesar da gente não ter muito contato com esse tipo de “trem”.

Então para que você não se perca por aqui, por que goiano adora dar informações erradas, elabaramos um micro-dicionário goianês-português para lhe auxiliar no entendimento dessa língua falada por mais de 5 milhões de brasileiros:

Deixa eu te falar – Com a variação Ow, deixa eu te falar. Introdução goiana para um assunto sério.

Deixa eu te perguntar – A mesma coisa que deixa eu te falar, mas usado, obviamente, quando você vai perguntar algo.

Chega dói – Chega a doer. Ex.: Deixa eu te falar, essa luz é tão forte que chega dói a vista. Na verdade essa forma pode ser usada com quaisquer outros verbos combinados com o verbo “chegar”. Ex.: chega arranha, chega machuca, chega engasga

Uai – Palavra que normalmente não tem sentido, mais ou menos como o tchê do gaúcho. Usado normalmente em respostas. Ex..: Pergunta: Ou você vai à festa hoje?; Resposta: Uai, vou de mais!.

Encabulado – Impressionado. Ex.: Estou encabulado que você nunca tenha ouvido alguém falar ‘chega dói’ antes.

Bão? – Goianês para “Tudo bem?” Também é usada a forma bããããão?

Tá boa? – Goianês para “Tudo bem?” usado para mulheres. Em outras regiões do Brasil seria interpretado de outra forma.

Bão mesmo? – É comum usar o “mesmo?” depois de coisas como “e aí, tá bom/bão”, como se pedisse uma confirmação de que a pessoa tá bem e não apenas fingindo que está bem.

Piqui – Pequi, fruto típico de Goiás, bastante usado na culinária Goiana.

Mais – substituto goiano da conjunção “E“. Ex.: Eu mais fulano estamos no Goiás.

No Goiás – Em Goiás.

Na Goiânia – Em Goiânia.

Pit Dog – Uma espécie de filho bastardo de uma lanchonete com uma barraquinha de cachorro-quente. Apesar desse nome estranho, os sanduíches são muito bons!

Tem base? – Expressão tão goiana que existe até em slogan impresso em bandeiras e camisetas exaltando o estado: “Sou goiano. Tem base?”. Pode ser traduzido como “Pode uma coisa dessas?”, só que usado com muito mais frequência.

Mandruvá– Mandorová.

Coró – mesmo que mandruvá.

Dar rata – Algo como cometer uma gafe. Ou seja, dar rata é o goianês para “fazer caca

Calçada – Pode significar: 1. Lugar para estacionar carros; 2. Local onde se colocam as mesas dos botecos e restaurantes. Note que não existe em Goiás calçada no sentido de lugar para pedestre, pois não sobra espaço para pedestres entre os carros e as mesas.

Anêim – Algo que parece ter vindo de “Ah, não!“, que virou “Ah, nem!” Mas às vezes é simplesmente usado na frase com um sentido de desagrado. Quando vejo escrito por aí, vejo o povo escrevendo “anein“, “aneim“, “anêim” e outras variantes.

Arvre – Árvore (isso me lembra “As arvres somos nozes”)

Arvrinha – Árvore pequena.

Arvrona – Árvore grande.

Madurar – Amadurecer.

Corguim – Lê-se córrr-guim. Diminutivo de corgo.

Corgo – Lê-se córrr-go. Córrego.

Quando é fé – Algo como de repente, ou até que. Ex.: “Estava no consultório do dentista, ouvindo aquele barulhinho de broca, e quando é fé sai um menininho chorando de lá.

Num dô conta – Pode ser traduzido como Não consigo, Não sei, não quero, não gosto, etc. No resto do país, não dar conta é usado mais no sentido de “não aguentar”. Por exemplo: Não dei conta do recado, ou Não dou conta de comer isso tudo sozinho. Já aqui em Goiás é usado para quase tudo. Ex.: Num dô conta de falar inglês (“não sei falar inglês”); Num dô conta de continuar em Goiânia nas férias (“Não quero/não aguento continuar em Goiânia nas férias); Num dô conta de imprimir usando esse programa (“não sei imprimir usando esse programa”).

De sal – Salgado. Ex.: Pamonha de Sal.

De doce – Se “de sal” é salgado, então “de açúcar” é doce, certo? Errado! Em Goiás as coisas não são doces, elas são de doce.

Caçar – Procurar. Goiano não procura, goiano caça. Ex.: “Estive te caçando o dia inteiro“. “Não sei onde está, mas vou caçar esse papel para você.”

Demais da conta – Em Goiás, deve-se evitar utilizar a palavra “demais” isolada. A forma correta é “demais da conta”. Ex.: “Gosto disso demais da conta!“. “Conheço a região demais da conta!

Custoso – Na definição significa teimoso.  Mas também é como se fosse algo que dê trabalho. “Esse moleque é custoso demais da conta!

Disco – Um tipo de salgado frito.

Voadeira – Voadora (o golpe, agressão).

Ou quá? – Algo como “ou o quê?”. Ex.: “Você vai sair com a gente ou quá?”

Vende-se este – Aqui em Goiânia é muito mais comum ver placas dizendo “Vende-se Este” colada num carro, do que simplesmente “Vende-se“. É como se quem escreveu pensasse “vende-se? Vende-se o que?“, mas também ficasse com preguiça de escrever “Vende-se este carro“. Fica o meio termo.

Fim de tarde – o Happy Hour já foi aportuguesado por aqui. Chama-se “Fim de tarde“, é aquela hora que você sai do trabalho e vai tomar uma com os amigos. Acompanha espetinho e feijão tropeiro, é claro!

Fi – Creio que vem de “Filho”, é usado no fim da frase, como se fosse um “tchê” gaúcho ou um “meu” paulista. Ex.: “Esse é o melhor, fi!“, “Nossinhora, fi! Bão demais da conta!“.

E pra terminar:

Goiano não chama a polícia, chama “uzômi”. Goiano não sente agonia, ele “sente gastura“. Goiano não diz como vai, diz “cumé que cê tá”. Goiano não liga o pisca, “dá seta”. Goiano não para no semáforo, para “no sinal”. Pra Goiano as coisas não estragam, “tá ruim”. Goiano não come pão francês, come “pão de sal”. Goiano não chupa Tangerina, chupa “Mixirica”. Goiano não acha alguns alimentos sem açúcar, acha “sem doce”. Goiano não lava com esponja, lava com “bucha”.

E posso te falar uma coisa? Ser goiano é “bão” de mais da conta!

 

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Sonhos e Inquietações

Bem que eu queria não sonhar com seus beijos
pois não tenho eles pra me acalmar quando acordo
Sabe, eu nunca senti em mim algo tão intenso
Sinto seu sorriso… não respiro… quase me afogo
Bem que eu queria não ter me invertido em seus meios
pois agora já nem sei mais como eu volto
Sabe, assim em ti quase que me perco por inteiro
Sinto seu sentido… me inspiro… eu adoro

Em meu sonho passeio por seus versos e por seus lugares
caminhando tranquilo nas inquietações do seu instante
Assim me intrometo nos devaneios breves de alguns outros olhares
E me entendo na poesia discreta mas envolta de seu desejo errante
Mas de repente olho para um lado, para o outro e não vejo seu lugar
aí que me lembro que não me pertence aquele tão intacto olhar
Choro sentido… num pensamento perdido… sem mesmo entender
é mesmo verdade… se meu corpo falasse…ele me pediria… pra te conhecer

Mundo da Lua

Sem lugar no meu próprio espaço
Me perco em mim,
Fracasso.
Não olvidados meu amor,
minha inquietação
Busco além de mim
o que em mim não encontro razão

Fora daqui talvez lhe pareça
Inquieta que sou,
Que busco alguma certeza
Sem as dúvidas que sobrevoam
E se assentam sobre o meu ser
Me acho
Me encolho. Escondo. Incomodo

Busco além de ti o que me convém
Busco incerteza,
embora mesmo antes a tenha encontrado
E vivo aqui, assim
A perseguir um surreal colapso

Procuro somente sentir.
Me redimir das culpas do acaso.

Fuja de mim, não se permita
Perambulante incerteza que sou nessa vida…
Não se importe com minha mente insana,
Meus prazeres inconstantes,
Pois vivo, e quero, somente aqui

No mundo da Lua existir.